...de nascer, eu já sabia que minha caminhada nesta vida não seria muito fácil...sabia também que eu haveria de viver, viver... descobrir lugares que não estão no mapa, mas dos quais, carrego impressões em minh´alma e depois, fazer deles belas imagens e grandes palavras a ecoar. Sabia que nasceria franzina e com poucas chances de sobreviver e bem por isso, já fora avisada que receberia nome de santa, devido à promessa de minha mãe pela minha sobrevivência. E foi assim... durante toda a minha existência tentei sobreviver, sobrevivi, cresci, caminhei... caminhos errantes por este mundo de meu Deus. Tive a diva dádiva de percorrer o mundo, dar voltas em torno de mim mesma na busca desenfreada por me achar, encontrar o meu lugar no mundo, o meu lugar em mim, o meu lugar nas pessoas e tudo isso, eu teria que fazer sozinha... estou fadada à solidão e à solitude de alma. De tudo isso, eu já sabia quando minha mãe era minha existência nesta vida. Quando dela me nutria, de seu sangue eu pulsava. Poderia escrever sobre tudo e todos que contribuiram para que eu fosse quem eu sou hoje mas, para preservá-los, farei breves menções. Neste momento de quase vida, mãe, pai e avó. Fiquei sabendo que eu voltaria a este mundo mesmo com a negativa da avó materna. Negativa pois ela e meu pai precisavam de um resgaste e, mesmo depois da partida dele, eu seria esta personificação na vida dela. Personificaria todos os traços, os jeitos, olhos, boca, nariz e o perfil de magreza... tudo ao contrário. Era exatamente este o ponto que ela não conseguiu entender. Ele veio para ajudá-la a equilibrar-se mas... não conseguiu... e deveras, sabia que não conseguiria... o restante da missão, eu deveria completar.
E lá, continuava eu. Escondida na caverna, feito o "Louco" do tarô, prestes a sair da escuridão uterina e ter os olhos ofuscados pela luz do mundo.
De tudo isso, eu já sabia...

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